TagoIO é uma plataforma poderosa para IoT que facilita o gerenciamento e a análise de dados de dispositivos conectados. Neste post, vamos explorar boa parte da plataforma ao ponto de deixar tudo o mais “mastigado” possível, o suficiente para conseguir montar suas aplicações.
1. O que é TagoIO?
TagoIO é uma plataforma de IoT (Internet das Coisas) que permite coletar, armazenar e analisar dados de dispositivos conectados. Com uma interface bem simples de ser utilizada com estrutura arrasta e solta e uma vasta gama de funcionalidades já prontas e opções de customização.
Além de tudo isso, a Tago também funciona em todas as plataformas, então ao montar sua aplicação dentro da Tago terá acessibilidade em qualquer lugar, seja via mobile ou web.

1.1 Estrutura da Tago
A Tago é tão grande que há ramificações dentro dela, então enxergue a TagoIO como um ecossistema de uma plataforma IoT, pois dentro da Tago temos:
- Tago RUN: Aqui é toda parte que configura aplicação para algo mais profissional onde é possível criar usuários, regras para usuários, disponibilizar sua aplicação para clientes e etc;
- Tago Core: Basicamente é toda a Tago, porém ao invés de rodar na nuvem da para rodar localmente. É uma solução open source;
- Tago Learn: Uma espécie de academia com cursos e certificados para te capacitar a mexer na TagoIO.
Desses tópicos acima, apenas a Tago RUN será abordada neste post, pois a Tago Core nada mais é que Tago como um todo, mas hospedada localmente e como estamos fazendo o papel da Tago Learn, não será abordado também. Porém nada impede de conferir e estudar por conta própria.
1.2 A Tago é paga ou gratuita?
Os dois! A tago tem uma politica bem interessante de mesclar gratuito, com open source e assinatura, mas como isso funciona? Basicamente qualquer pessoa pode criar uma aplicação básica com até 5 dispositivos gratuitamente com até 5 dashboard, mas caso queria mais dispositivos e ter mais recursos, terá que pagar um plano.
Caso queria rodar tudo localmente, é possível baixar TagoCore, mas se quiser rodar tudo em nuvem, basta simplesmente abrir sua conta na TagoIO e se adequar o melhor plano para sua realidade.
1.2.1 Se tem Tago Core, qual sentido de assinar?
A Tago Core é open source e é possível hospedar a parte da própria Tago, então você pode se perguntar o motivo de assinar um plano em nuvem e o motivo é bastante simples. Ao criar uma operação do zero é necessário escolher uma hospedagem adequada e que tinha um bom uptime, pois uma hospedagem “meia boca” poderá ter instabilidades e cair durante um processo de “uplink” do dispositivo, neste cenário a comunicação seria perdida.
Além disso será necessário se preocupar com segurança, banco de dados, armazenamento e entre outras coisas. Embora financeiramente isso ainda possa fazer certo sentido, ainda deverá considerar o tempo de manutenções preventivas e corretivas. Ao escolher nuvem todos esses fatores são terceirizados.
2. TagoIO: Primeiros passos
Vamos nos familiar com a estrutura da plataforma, posso confessar que inicialmente você pode achar um pouco complicada, mas prometo que até o fim deste post tu vai saber se virar e já terá sua própria aplicação. Então vamos lá!
2.1 Cadastramento
Caso não tenha uma conta na TagoIO, crie agora mesmo clicando aqui. Caso contrário desconsidere nossa amizade. O cadastramento da Tago é muito simples, não é um formulário cheio de perguntas, com poucas informações é possível fazer o cadastro.

Faça a confirmação do e-mail fornecido e em seguida será exibido um outro formulário básico de seleção apenas para saber que tipo de usuário é você, mas é coisa boba.

2.3 Painel principal
Após o passo anterior, já será exibido o painel principal da sua conta. Esse é o painel principal onde será feito tudo. No meio do painel temos informações relacionadas ao consumo do seu plano e algumas informações adicionais.
No menu na esquerda temos 9 itens que são destinados a sua aplicação os icones e os nome são bem sugestivos, então você terá pouca dificuldade no seu uso.

2.4 Criando o primeiro dashboard
Parte do meio do menu temos uma lista de dashboards, é lá que terá todos os seus dashboard criados e através do ícone ‘+’ você poderá adicionar um. Ao fazer isso será exibido um painel para escolher o tipo de deashbord e definir o nome, nesse caso vamos usar o modelo normal.

Após isso será exibido um painel com absolutamente nada onde você terá que construir o seu dashboard com os recursos fornecidos pela plataforma.

Para montar o dashboard conforme deseja, basta simplesmente clicar em “+ Add widget” e ao clicar irá aparecer uma série de recursos

2.5 Integrações
Assim que for feito o dashboard, será necessário criar as integrações para que tenha inserção de dados e dai conseguir de fato usar a aplicação. As integrações na Tago tem duas formas, podendo ser o dispositivo ou a plataforma, a vantagem que na plataforma acaba sendo mais prático a adição de novos dispositivos.
Já foram feitos alguns posts relacionado a integração de dispositivos com a TagoIO, para acessa-los basta clicar em uma das opções abaixo:
2.5.1 Plataformas
Muito provavelmente se você for fazer uma aplicação mais escalável, certamente irá querer fazer uma integração mais generalista, nesse cenário o melhor a ser feito é integrar com uma plataforma.
Como exemplo usaremos o chirpstack da BrDot para fazer essa integração com a TagoIO. Como o chirpstack não tem integração direta com a Tago, basta simplesmente abrir e na aba de integrações da sua aplicação e selecionar o método HTTP.

Em seguida configure sua integração seguindo a imagem a baixo, apenas se atente que o token de autorização da imagem é meramente ilustrativo.

Para pegar o token basta seguir o mesmo passo de cadastrar um dispositivo, a diferença é que ao invés de clicar em adicionar um dispositivo você vai clicar em “authorization” e em seguida “generate”. Por fim, copie o token gerado e volte para o console do chirpstack e finalize a integração.

Após isso você pode ficar se perguntando: Cadê os dispositivos que estão no chirpstack? Então.. A tago não carrega tudo após fazer a integração, pelo menos nos testes que fiz isso não aconteceu, nesse caso basta tu adicionar um novo dispositivo “BrDot custom” e colocar o EUI dele e pronto! Dispositivo integrado na tago.

2.6 Ações (Automações)
Certamente em algum momento será necessário criar alertas de algum tipo de valor que sua aplicação recebe de um ou múltiplos dispositivos. Para deixar mais claro esse tipo de aplicação, imagine uma aplicação onde há um reservatório de água onde uma bomba o alimenta com água de forma automática e esse reservatório é responsável por fornecer toda água para mistura de agrotóxicos, por isso é necessário uma analise volumétrica correta, caso contrário a diluição dos agrotóxicos serão grande ou muito pouca o que poderia prejudicar o solo e toda vida ao redor do local de aplicação ou simplesmente perder toda a produção.
É claro que o cenário anterior pode ser contornado por diversas formas, tanto automática como manual, mas esse exemplo se encaixa perfeitamente como uma forma de demonstração de uso da função “action” da Tago, com essa ferramenta é possível criar disparos condicionados a um ou mais valores. dessa forma o operador consegue saber assim que o erro é gerado e assim tomar as devidas providências.
Porém para conseguir gerar esse gatilho, é necessário ter uma entrada, nesse caso seria alguma variável de algum dispositivo, para analise de volume poderia se um sensor de nível por exemplo. Na tago temos várias formas de ações possíveis sendo elas:
- E-mail: Envio de um e-mail para notificar sobre um evento ou condição específica;
- SMS: Envio de uma mensagem SMS para um número de telefone registrado;
- HTTP Request: Disparo de uma requisição HTTP (GET, POST, PUT, DELETE) para um endpoint especificado, permitindo integração com outras APIs ou serviços web;
- MQTT Publish: Publicação de uma mensagem em um tópico MQTT, útil para comunicação com outros dispositivos IoT que utilizam MQTT. Assunto para outro post dedicado;
- Data Insertion: Inserção de dados em uma determinada variável, permitindo a atualização de informações com base em eventos;
- Run Analysis: Execução de uma análise (script) pré-definida na plataforma, permitindo a realização de processos mais complexos ou cálculos baseados nos dados recebidos;
- Push Notification: Envio de uma notificação push para dispositivos móveis, alertando usuários sobre eventos ou condições específicas.
2.6.1 Criando uma ação de alerta via Push
Para criar uma ação, basta ir no painel principal da TagoIO e ir no canto superior esquerdo, clicar no item “action” e em seguida “add action” no canto superior direito.

Em seguida será exibido uma espécie de popup no qual você irá configurar o tipo de gatilho que será criado, neste caso iremos usar o “Type of trigger” do tipo “Variable”. Para o tipo de ação vamos usar a opção “Pusch notification to myself” que basicamente vai enviar o alerta para você mesmo.

Há outra opções como envio de e-mail’s, SMS e também push notification para outros usuários cadastrados na sua conta. No entanto, saber como fazer isso para você mesmo, vai possibilitar criar todas as outras ramificações de alertas.
Também é importante criar um titulo e uma descrição da mensagem, além disso não se esqueça de colocar um nome para sua ação, afim de deixar sua aplicação mais organizada. Em seguida clique em “create my action”, após isso será exibido um painel onde iremos configurar qual variável será usada para os gatilhos e a partir de que valor o disparo ocorrerá.

Na imagem acima é possível ver o painel de configuração da ação criada anteriormente, porém já deixei configurado para ajudar na compreensão. Explicando por miudos basicamente é necessário serlecionar se a ação ocorrerá por conta de um dispositivo ou multiplos, neste caso é único que seria o dispositivo “tutorial”.
Em seguida é necessário criar a condição para o “trigger” disparar a ação, como configuramos que essa ação vai receber uma variável e disparar uma “push notification to myself”, temos que escolher qual variável e condição para o disparo. Neste caso, peguei a variável “nivel” do dispositivo “tutorial” e o disparo ocorrerá quando o valor for maior que 50.
2.6.1.1 Testando integração
Após configurar tudo, basta dar um “save” e já pode testar. Para isso fiz uma pequena integração HTTPS na TagoIO para emular um dispositivo através do visual studio code. No vídeo a baixo é possível que ao enviar o valor 24 nada ocorre, mas quando é enviado 51 a ação é disparada e a notificação é exibida.
3. TagoRUN
O TagoRUN é uma funcionalidade essencial dentro do ecossistema do TagoIO, voltada para quem deseja criar, gerenciar e comercializar aplicações IoT de forma profissional. Basicamente, ele permite que você construa uma solução completa e personalizada sobre a infraestrutura do TagoIO e ofereça essa solução como um serviço, sem a necessidade de lidar com a complexidade técnica de servidores, segurança ou integrações de backend.

3.1 O que é o TagoRUN?
O TagoRUN permite que você entregue seu aplicativo de IoT de forma white-label — com sua marca e identidade visual. Você tem a interface totalmente personalizável para que possa fornecer uma experiência única aos seus clientes, que nem precisam saber qual é a plataforma que está sendo usada por trás do aplicativo.
3.2 Principais Funcionalidades do TagoRUN
- Gestão de Usuários: Você pode criar diferentes níveis de acesso para seus usuários finais visualizarem, interagirem ou controlarem os dados de seus dispositivos. Isso é ideal para vender seu aplicativo para muitas empresas ou clientes. De modo que cada um deles tenha apenas o que é relevante para eles;
- Personalização Total: O TagoRUN permite que você adicione seu logotipo, mude as cores da interface e até personalize os dashboards de acordo com as necessidades dos seus clientes. Isso torna a experiência completamente customizada e sob medida para o seu público;
- Hospedagem e Infraestrutura: Ao usar o TagoRUN, você não precisa se preocupar com a infraestrutura por trás da aplicação. O TagoIO cuida de tudo: desde a segurança dos dados, até a disponibilidade e escalabilidade da aplicação. Isso permite que você foque no que é mais importante: o desenvolvimento de soluções IoT inovadoras e eficazes.
- Automação de Assinaturas: Caso você queira vender seu serviço como uma assinatura, o TagoRUN já vem com as ferramentas necessárias para que você possa gerenciar planos, pagamentos e acessos de forma automática, facilitando o processo de monetização da sua aplicação.
3.3 Casos de Uso do TagoRUN
O TagoRUN é ideal para desenvolvedores e empresas que desejam comercializar suas soluções IoT de maneira prática. Por exemplo:
- Empresas de Agricultura: Criar um sistema de monitoramento de culturas, onde os agricultores têm acesso a dashboards personalizados que mostram a umidade do solo, a previsão do tempo e outros dados relevantes.
- Gestão de Frotas: Oferecer um sistema para empresas de logística, permitindo o rastreamento em tempo real de caminhões e veículos, com alertas automáticos para manutenção ou falhas operacionais.
- Indústria: Desenvolver soluções de automação industrial, onde operadores podem monitorar máquinas, controlar a produção e receber notificações de problemas antes que ocorram falhas.
3.4 Como Configurar o TagoRUN
A configuração do TagoRUN é simples e intuitiva. Você pode acessar a opção RUN no painel do TagoIO, e a partir daí começar a personalizar sua aplicação. O processo inclui:
- Escolher um Nome de Domínio: Você pode usar um domínio próprio para sua aplicação ou escolher um subdomínio fornecido pelo TagoIO.
- Configurar a Interface: Personalize a aparência da aplicação, ajustando cores, logotipo e até o design do dashboard.
- Gerenciar Usuários: Crie perfis de usuários e defina suas permissões, permitindo acesso a diferentes partes da aplicação com base nas necessidades de cada cliente.
3.5 Exemplo de uso da TagoRun: Publicando um dashboard
Para publicar um dashboard é necessário primeiramente criar um usuário, nesse caso vamos criar um usuário anônimo para que qualquer pessoa com o link possa visualizar o dashboard publicado. Para isso, vai basta clicar na opção abaixo:

Parar criar um usuário anônimo basta habilitar a opção abaixo e se possível colocar um nome que deixe claro que aquele usuário é destinado para tal função, para te ajudar a se organizar.

Depois você precisa autorizar o usuário para que ele consiga acessar o dashboard e através dele que de fato vamos conseguir publicar o dashboard, para isso basta seguir as configurações que fiz a baixo:

Quando a configuração acima é feita, seu dashboard já está publico. O dashboard em si já tem um link próprio dele, mas sem antes de fazer essas configurações você não conseguirá acessa-lo, basta copiar o link e divulgar para quem quiser.

Para validar se está funcionando, basta simplesmente pegar o link e jogar em qualquer navegador, se aparecer o dashboard significa que funcionou e o bom que da para acessar em qualquer canto.

4. Experiência de Uso Pessoal
Desde do início da parceria até o presente momento da publicação desta postagem, dediquei-me a testar a plataforma TagoIO de forma intermitente e em diferentes contextos. Claro, não foram sete meses de uso contínuo, mas esse tempo foi suficiente para me proporcionar uma visão mais ampla da plataforma e, assim, compartilhar essa perspectiva com você de forma clara e prática.
4.1 Críticas
Quando comecei a usar a TagoIO, confesso que ela me pareceu um pouco intimidadora à primeira vista. E acredito que isso tenha muito a ver com a nossa tendência de achar que trabalhar com aplicações é uma tarefa complexa. Se eu pudesse fazer uma analogia, seria como olhar para um prato enorme de comida e pensar que, apesar da fome, não vamos dar conta de comer tudo. Mas a verdade é que, com a Tago, as coisas fluem de forma muito mais simples do que se imagina.
Sim, lidar com aplicações tem sua complexidade e requer tempo para aperfeiçoamento. Mas, no caso da TagoIO, as coisas foram feitas para facilitar ao máximo a experiência. Lembro que, no início, mesmo tendo experiência em criar aplicativos complexos com C#, fiquei achando que seria difícil me adaptar. No entanto, foi só uma questão de me familiarizar com a plataforma.
A maior dificuldade que você pode enfrentar é encontrar onde cada função está no site, o que, convenhamos, é bem simples. Depois de “futucar” um pouco, logo você pega o jeito e passa a ter uma boa noção de como tudo funciona.
4.1.1 Desenvolvimento de Dashboards
Uma das partes mais fáceis da Tago é criar dashboards. O maior desafio aqui não é a criação em si, mas decidir o que você vai incluir ou deixar de fora no seu dashboard. Depois de resolver isso, tudo se resume a arrastar widgets e configurar cada um deles. A interface é bastante intuitiva.
É claro que, dependendo da complexidade da aplicação, o nível de dificuldade vai aumentar. Mas a lógica é simples: se você está lidando com algo mais complexo, provavelmente já tem a capacidade de enfrentar esses desafios extras. Mesmo assim, a TagoIO facilita muito o processo.
Se tem algo que pode ser um pouco mais “chato”, é a parte de criar decoders para os dispositivos. Felizmente, empresas parceiras da Tago, como a BrDot, já fizeram esse trabalho para muitos dispositivos, o que facilita bastante. Você só precisa escolher o dispositivo, configurar alguns detalhes e pronto: é só usar.
Durante esses seis meses de testes, explorei diferentes aplicações e, apesar de não ter conseguido testar todas as funcionalidades da plataforma, consegui ter uma boa noção do que ela oferece. Aqui estão alguns pontos positivos e negativos que identifiquei.
4.1.1.1 Pontos Positivos
O grande diferencial da TagoIO é o conjunto de ferramentas que ela oferece. Isso realmente simplifica todo o processo de desenvolvimento. Em questão de uma hora, consegui criar um dashboard, testar a aplicação e torná-la pública com o TagoRun. Esse nível de agilidade é impressionante! Se eu tivesse que fazer isso do zero, teria que me preocupar com várias coisas, como:
- Configurar um servidor para hospedar tudo;
- Implementar SSL para garantir a segurança;
- Proteger contra ataques;
- Criar um sistema de permissões de usuários;
- Desenvolver a parte visual (designer);
- Integrar diferentes métodos de conexão;
- Garantir a responsividade do design, que é uma das partes mais difíceis, pois cada usuário tem uma tela de tamanho diferente.
Tudo isso a TagoIO já oferece de forma pronta para você. Ou seja, você pode focar na sua aplicação, colocar sua marca e vender sem se preocupar com toda essa infraestrutura. Claro, nem tudo é gratuito, mas é possível criar uma conta e acessar recursos limitados de forma gratuita, o que é ótimo para quem está começando ou quer testar a plataforma. Para aplicações mais profissionais, é necessário pagar para ter acesso a uma gama maior de dispositivos e funcionalidades.
4.1.1.2 Ponto Negativo
Como em qualquer plataforma, nem tudo são flores. Dois pontos me incomodaram um pouco na TagoIO.
O primeiro está relacionado aos decoders em aplicações customizadas. Diferente de alguns servidores LoRaWAN (LNS), na Tago não encontrei uma forma de fazer debug do código. Se essa funcionalidade existe, eu não a achei. Por isso, para projetos mais customizados, achei mais prático usar os LNS e converter os dados para JSON antes de enviar para a Tago.
O segundo ponto que me desagradou foi o aplicativo para Android. O app funciona bem até você tentar abrir um dashboard que contenha um widget de mapa. Aí, o desempenho cai bastante, porque, em vez de rodar o dashboard nativamente, o app carrega uma página web dentro dele. Isso prejudica a fluidez da experiência.
4.2 Aplicações Feitas
Durante o período em que testei a TagoIO, desenvolvi algumas aplicações para analisar o comportamento da plataforma e entender melhor seus limites.
4.2.1 Horímetro
O horímetro não foi a primeira aplicação que fiz na plataforma – essa honra vai para uma aplicação de localização via satélite, que, no entanto, não trago aqui por ter sido testada muito próximo de casa. Mas o horímetro funciona de maneira bastante similar e o resultado foi ainda mais satisfatório.

Como o próprio nome sugere, o horímetro é um dispositivo usado para medir e contabilizar horas. Desenvolvi esse projeto em parceria com a GX Tecnologia, para atender a demanda de um cliente do setor agrícola. Ele precisava monitorar o tempo de operação de máquinas no campo e registrar suas localizações via GPS. Mas havia dois grandes desafios:
- Não havia cobertura de rede telefônica;
- As máquinas ficavam longe de pontos de acesso Wi-Fi, e o uso de LoRa era inviável.
Essas máquinas agrícolas são lentas, e os operadores geralmente são transportados de carro até elas. A vantagem é que esses carros tinham pontos de acesso Wi-Fi graças à Starlink. Então, a ideia do horímetro era basicamente registrar o tempo de operação e salvar a localização das máquinas a cada X minutos em uma memória LIFO (Last In First Out). Assim que o dispositivo se conectasse ao Wi-Fi, os dados seriam descarregados.
Minha maior preocupação era com o tempo necessário para fazer o POST via HTTPS. Será que a TagoIO aguentaria tantas inserções de uma só vez? Felizmente, não houve problemas. O sistema foi capaz de descarregar cerca de 1000 posições de localização de uma só vez, sem qualquer interferência ou bloqueio.
No dashboard abaixo, você pode ver as posições enviadas pelo horímetro. Note que há muitas posições em locais muito próximos, algo que fiz propositalmente para não traçar as diferentes rotas que percorri durante a semana com o dispositivo.

4.2.2 Sensoriamento
Esse projeto teve um desafio um pouco diferente, porque, ao contrário dos outros, os dispositivos físicos propriamente ditos não existiam. Em vez de sensores espalhados por aí, o que havia era um aplicativo que se comunicava com um conversor USB – Serial – RS485. Esse conversor, por sua vez, lia diversos sensores conectados a ele e enviava os dados coletados para a TagoIO via HTTP.
Em resumo, o aplicativo fazia a ponte entre os sensores e a plataforma, permitindo o monitoramento remoto de informações importantes. Isso mostra a versatilidade da TagoIO em se adaptar a diferentes cenários, até mesmo em situações onde não há sensores “oficiais”, mas sim um sistema personalizado para coletar e enviar os dados.
Esse tipo de abordagem é bastante útil em projetos onde já existem sensores legados ou onde é necessário integrar dispositivos de comunicação não convencionais, como o RS485, que é amplamente utilizado em ambientes industriais por sua robustez. Assim, o sistema conseguia captar informações valiosas e processá-las dentro da plataforma de forma eficiente e sem complicações.

O resultado foi maravilhoso, como eu já imaginava! Tanto esse quanto o outro dashboard ficaram bastante simples em termos de design, mas isso é algo que tem mais a ver com a minha habilidade criativa nessa área do que com as limitações da TagoIO. Afinal, design nunca foi o meu forte — e se você der uma olhada nos meus outros aplicativos, vai perceber que eles seguem um visual bem básico também.

Esse aplicativo foi desenvolvido com um propósito bem específico: testar a comunicação entre os sensores RS485 e a plataforma TagoIO. No entanto, ele acabou sendo útil para testar outras funcionalidades da plataforma também, o que ampliou bastante minha visão sobre seu potencial.
Além de servir para minhas necessidades, percebi que o aplicativo poderia ser uma excelente ferramenta de aprendizado para outras pessoas que desejam explorar a integração de sensores industriais com plataformas de IoT. Por isso, tomei a iniciativa de disponibilizá-lo no GitHub, para que mais gente possa utilizá-lo em estudos e testes.
5. Escalabilidade e Flexibilidade da TagoIO
Uma das maiores vantagens da TagoIO é sua capacidade de escalar de acordo com as necessidades do projeto. Seja para aplicações mais simples, como monitoramento de um pequeno número de dispositivos, ou para soluções complexas envolvendo milhares de sensores e múltiplas integrações, a plataforma se adapta de forma flexível e eficiente. Isso ocorre graças à sua estrutura modular, que permite adicionar novos componentes conforme o projeto cresce, sem a necessidade de reformular todo o sistema.
Por exemplo, se no início você estiver trabalhando com uma aplicação pequena, utilizando a conta gratuita e apenas cinco dispositivos, e com o tempo sua necessidade aumentar para dezenas ou centenas de dispositivos, basta migrar para um plano mais robusto. Tudo isso sem perder os dados já configurados ou a estrutura do seu dashboard. Essa facilidade em ajustar o escopo do projeto, mantendo a continuidade da operação, é um dos grandes trunfos da TagoIO para desenvolvedores e empresas que desejam começar pequeno e crescer gradualmente.
5.1 Benefícios a Longo Prazo
Ao adotar uma plataforma como a TagoIO, você não só ganha agilidade no desenvolvimento, mas também investe em uma solução que reduz significativamente os custos e a complexidade de gerenciamento a longo prazo. Isso acontece porque a Tago cuida de toda a infraestrutura de backend — como hospedagem, segurança, armazenamento de dados e manutenção — permitindo que o foco principal seja o desenvolvimento de funcionalidades específicas da aplicação.
Além disso, a integração com diversos protocolos, como MQTT e HTTP, e a compatibilidade com uma vasta gama de dispositivos tornam a TagoIO uma solução altamente versátil. Isso é especialmente importante quando se pensa em projetos IoT que requerem conectividade entre dispositivos de diferentes fabricantes, algo comum em ambientes industriais ou de larga escala.
Se você deseja um desenvolvimento rápido e eficiente, sem se preocupar com a complexidade de configurar servidores, gerenciar bases de dados e garantir a segurança do sistema, a TagoIO é uma escolha inteligente. Ao centralizar todas essas necessidades em um único lugar, ela não só acelera o tempo de entrega do projeto, mas também proporciona um ambiente de trabalho mais organizado e coeso.
5.2 Colaboração e Comunidade
Outro ponto importante é a comunidade ativa em torno da TagoIO. Como a plataforma oferece uma versão open source (Tago Core) e promove o aprendizado através do Tago Learn, ela se beneficia de um ecossistema colaborativo, onde desenvolvedores do mundo inteiro compartilham suas soluções, experiências e códigos. Isso cria um ambiente fértil para inovações, com a vantagem de poder acessar exemplos práticos, tirar dúvidas e colaborar com outros usuários.
Se você está pensando em desenvolver sua aplicação IoT, recomendo também explorar os recursos de aprendizado e documentação que a TagoIO oferece. A combinação de ferramentas práticas e o apoio de uma comunidade ativa fazem toda a diferença, especialmente para quem está começando ou precisa de ajuda em etapas específicas do projeto.
5.3 Explorando Mais
Por fim, se você ainda está em dúvida sobre por onde começar ou como a TagoIO pode beneficiar o seu projeto, minha sugestão é simples: experimente. Teste a plataforma, explore as funcionalidades, crie uma pequena aplicação e veja como ela pode se adaptar às suas necessidades. A curva de aprendizado inicial pode parecer um pouco desafiadora, mas, uma vez que você começa a se familiarizar com as ferramentas, perceberá o quão poderosa e flexível a TagoIO pode ser.
Seja você um entusiasta de IoT ou um desenvolvedor profissional buscando uma solução escalável para gerenciar dispositivos conectados, a TagoIO oferece uma série de recursos prontos para facilitar sua jornada. E o melhor: você não precisa começar do zero, nem se preocupar com as complexidades de backend. Então, comece agora na TagoIO.
