CLP Easycon: Um novo equipamento para automação

9 min

Eu venho querendo trazer mais conteúdos práticos sobre CLP aqui para o site, mas não no formato de uma aula genérica ou de um tutorial fechado logo de início. A ideia é registrar uma etapa real de bancada: pegar um equipamento físico, analisar sua estrutura, entender como ele se comporta e, aos poucos, validar possibilidades de programação, comunicação e integração.

O equipamento que vou usar como base é um CLP Easycon FX3U-32, um modelo compatível com a linha Mitsubishi FX. Ele chegou até mim em um lote de ferramentas e componentes que recebi por doação de uma empresa. Junto dele também veio uma IHM, mas por enquanto vou deixar essa parte para outro momento. Primeiro quero focar no CLP em si.

Esse não é um começo do zero em automação. A ideia aqui é outra: explorar um CLP real com uma visão mais prática, olhando para programação Ladder, alimentação, hardware, comunicação, entradas, saídas e também para a relação disso com sistemas embarcados.

1. CLP Easycon FX3U-32: o equipamento que vou usar na bancada

Esse Easycon FX3U-32 já veio com uma lógica embarcada. Pelo que vi em vídeo do antigo dono, o equipamento estava funcionando em uma aplicação real. Aqui na bancada, por enquanto, eu apenas alimentei o CLP e confirmei que ele liga, opera e executa alguma lógica que já estava gravada nele.

Ou seja: o CLP está vivo e funcionando, mas eu ainda não fiz testes de programação, não gravei uma nova lógica em Ladder e também ainda não validei comunicação com software. Essa parte depende da chegada do cabo de programação correto.

O ponto interessante desse tipo de equipamento é que ele permite sair um pouco do ambiente puramente simulado. Simulador ajuda, mas bancada real mostra detalhes que normalmente não aparecem na teoria: alimentação, bornes, padrão de entrada, tipo de saída, comunicação, compatibilidade de cabo, software de programação e até limitações práticas do próprio hardware.

2. CLP compatível com Mitsubishi FX: por que esse modelo é interessante?

O Easycon FX3U-32 chama atenção justamente por ser um CLP compatível com a linha Mitsubishi FX. Isso é interessante porque a família FX é bastante conhecida no mundo de automação, e muitos CLPs compatíveis seguem uma lógica parecida em relação a endereçamento, programação Ladder e comunicação.

Na prática, isso pode facilitar bastante a exploração do equipamento, principalmente para quem quer entender conceitos como:

  • entradas digitais X;
  • saídas digitais Y;
  • memórias internas M;
  • registradores D;
  • temporizadores;
  • contadores;
  • programação Ladder;
  • comunicação serial industrial.

Esse tipo de CLP acaba sendo uma boa base para análise porque ele está no meio do caminho entre o equipamento industrial tradicional e o equipamento mais acessível para bancada. Não é a mesma coisa que trabalhar com um CLP de uma linha industrial mais cara, mas também está bem distante de ficar apenas em simulador.

3. Programação Ladder no Easycon FX3U-32

Um dos pontos que mais quero validar nesse CLP é a parte de programação Ladder. Esse tipo de linguagem é muito usado em automação industrial porque representa a lógica de uma forma visual e próxima de comandos elétricos, contatos, bobinas, intertravamentos e temporizações.

Para quem já trabalha com microcontroladores, a lógica por trás não é exatamente estranha. No fundo, um CLP também precisa ler entradas, processar estados e atualizar saídas. A diferença está na forma como isso é organizado.

Em um firmware em C ou C++, eu normalmente pensaria em algo como:

ler_entradas();
processar_logica();
atualizar_saidas();
comunicar_dispositivos();

No CLP, essa ideia aparece em outra estrutura: contatos, bobinas, memórias internas, registradores e ciclo de varredura. O resultado pode ser parecido, mas a forma de pensar e manter o sistema muda bastante.

Por enquanto, eu ainda não gravei nenhum programa novo nesse CLP. Antes disso, quero aguardar o cabo correto, tentar comunicar com o equipamento.

4. Cabo USB-SC09-FX para programar o CLP Easycon FX3U-32

O primeiro desafio prático foi justamente o cabo de programação.

Esse modelo possui uma porta de programação compatível com a linha Mitsubishi FX, normalmente associada ao padrão RS422. Por isso, não é o caso de simplesmente pegar um conversor USB serial TTL comum, como CH340, FTDI ou CP2102, e tentar ligar direto nos pinos.

Para esse tipo de CLP, o cabo mais indicado é o USB-SC09-FX, usado em CLPs Mitsubishi FX e compatíveis, como FX0N, FX1N, FX2N, FX3U e FX3G.

USB-SC09-FX para o CLP Easycon FX3U-32
Fonte: Aliexpress

A expectativa é que esse cabo funcione com o Easycon FX3U-32, mas ainda vou validar isso na prática. Pelo padrão do equipamento, faz sentido funcionar, mas prefiro deixar claro que essa etapa ainda está pendente.

Quando o cabo chegar, a primeira coisa que pretendo fazer é tentar comunicar com o CLP pelo software adequado. Antes de apagar qualquer coisa, quero verificar se consigo ler o programa atual e salvar uma cópia da lógica embarcada.

5. Alimentação 24 V no CLP Easycon FX3U-32

Outro ponto importante é a alimentação. Esse CLP trabalha em 24 V, e como eu não costumo usar tanto fonte de bancada nessa faixa, estou usando temporariamente um conversor DC-DC step-up para elevar de 12 V para 24 V.

Para esse estágio inicial, isso atende bem, desde que a tensão seja ajustada corretamente e conferida com multímetro antes de ligar o equipamento. Por enquanto, a ideia não é acionar cargas grandes ou montar uma infraestrutura industrial completa, mas sim manter uma bancada controlada para análise e validação.

Esse cuidado é importante porque CLP não é só software. A parte elétrica faz parte da análise. Alimentação, comum das entradas, tipo de saída, aterramento, ruído e proteção são detalhes que mudam completamente a confiabilidade de um sistema real.

6. Entradas e saídas do CLP: o que pretendo observar primeiro

Antes de pensar em qualquer aplicação mais avançada, o mais importante é entender bem o básico do equipamento: entradas e saídas.

No caso desse CLP, a estrutura segue a lógica comum da linha FX, usando endereços como X0, X1, X2 para entradas e Y0, Y1, Y2 para saídas. Esse padrão é interessante porque permite organizar a lógica de forma bem direta.

O primeiro nível de validação deve passar por coisas simples:

  • confirmar se as entradas respondem corretamente;
  • verificar como o comum das entradas está configurado;
  • entender o tipo de saída do modelo;
  • acionar saídas com cargas simples e seguras;
  • observar LEDs de status do próprio CLP;
  • acompanhar o estado das variáveis pelo software.

Esse tipo de teste parece básico, mas é justamente isso que cria uma base confiável para qualquer coisa depois. Não adianta querer integrar CLP com outros sistemas se nem a leitura de entrada e o acionamento de saída foram bem compreendidos.

7. CLP e microcontrolador: duas formas diferentes de resolver problemas parecidos

Uma parte que me interessa bastante é comparar a lógica de um CLP com a lógica de um microcontrolador.

Não vejo isso como uma disputa entre CLP e microcontrolador. Na prática, cada abordagem tem seu lugar.

O CLP faz muito sentido quando o foco é robustez, manutenção, previsibilidade e integração com sensores e atuadores industriais. Já o microcontrolador faz muito sentido quando o foco é flexibilidade, conectividade, processamento, custo e personalização.

Um ESP32 ou STM32 pode ter muito mais recursos de processamento do que um CLP simples, mas isso não significa que ele esteja automaticamente pronto para um ambiente industrial. Para chegar nesse nível, o projeto precisa considerar fonte, proteção elétrica, isolação, conectores, firmware, watchdog, caixa, ruído e manutenção.

Esse é um ponto que acho importante abordar com calma em conteúdos futuros, porque muita gente compara apenas poder de processamento e esquece que robustez envolve muito mais coisa.

8. Como um CLP pode se conectar com sistemas embarcados

O que mais me interessa nesse tipo de equipamento é a possibilidade de conectar o mundo do CLP com sistemas embarcados.

Um CLP pode cuidar de uma lógica local e previsível, enquanto outro dispositivo pode ficar responsável por comunicação, telemetria, dashboard, API, registro de dados ou integração com outros sistemas.

Essa visão é bem próxima do que eu já faço com hardware, firmware, IoT e desenvolvimento de produto. O CLP entra como uma camada industrial, enquanto microcontroladores, gateways e sistemas Linux podem entrar como camada de conectividade e expansão.

Por enquanto, não quero abrir todos os detalhes do que pretendo fazer com isso, até porque algumas ideias ainda precisam ser validadas na prática. Mas a direção geral é essa: entender bem o CLP real, analisar seus limites e depois usar esse conhecimento para conectar melhor automação, embarcados e software.

9. Onde comprar o CLP Easycon FX3U-32 e o cabo de programação

Esse modelo pode ser interessante para quem quer explorar CLP em bancada sem começar necessariamente por um equipamento industrial muito caro. No meu caso, o CLP veio por doação, então o custo principal agora está sendo o cabo de programação e a preparação mínima da bancada.

[INSERIR LINK DE AFILIADO DO CLP EASYCON FX3U-32 AQUI]

Vale observar que eu ainda estou iniciando a minha validação pessoal com esse modelo específico. Já vi o CLP funcionando em vídeo do antigo dono e confirmei que ele liga e opera aqui na bancada, mas ainda não fiz a parte mais importante para este processo: comunica e programar.

Por isso, não trato esse post como uma análise final do equipamento. É um registro de processo, deixando claro o estágio atual e os próximos pontos que precisam ser verificados.

10. Próxima etapa com o CLP Easycon FX3U-32

A próxima etapa é aguardar o cabo USB-SC09-FX chegar e validar a comunicação com o CLP.

Se a comunicação funcionar como esperado, o primeiro cuidado será tentar salvar o programa atual antes de qualquer alteração. Depois disso, faz sentido partir para testes controlados de programação Ladder, entradas, saídas, memórias e registradores.

Esse post fica como um registro inicial dessa exploração prática com o Easycon FX3U-32. O equipamento já está ligado e operando, mas a parte mais interessante ainda depende da chegada do cabo e da validação com o software de programação.

A partir disso, pretendo documentar o processo com mais detalhes aqui no site, sem transformar cada etapa em um tutorial definitivo antes da hora, mas mostrando o que realmente aconteceu na bancada, quais cuidados apareceram e o que fez sentido validar.

Acompanhe a Elcereza Tutoriais, lançamentos, projetos e bastidores dos projetos. WhatsApp Telegram YouTube Instagram GitHub